Aula 9 – Texto apolíneo / texto dionisíaco

Apollo e Dioniso - Deuses da mitologia grega são tratados por Nietzsch de uma maneira bastante interessante e que contribui de maneira “espetacular” para a compreensão de sua obra.

A arte grega tem origem além do homem e representa “forças” que estão presentes no Mundo. Um dos aspectos importantes para a compreensão da “explanação” que segue, é entendermos que os deuses gregos, diferentemente do Deus da tradição judaica-cristã, são imanentes à Natureza, eles não estão fora dela; esses deuses têm um grau de pertencimento intrínseco e nascem junto com o “cosmos” diferentemente do Deus Judaico-cristão que está fora do universo e o cria para o homem.

Estranhamento – thauma = natureza.

 Apolíneo-dionisíaco é uma expressão relativa ao que vem dos deuses: Apolo e Dioniso expressão popularizada e tratada por Nietzsche como um contraste no livro ‘O nascimento da tragédia”, entre o espírito da ordem, da racionalidade e da harmonia intelectual, representado por Apolo, e o espírito da vontade de viver espontânea e extasiada, representado por Dioniso.

 Apolo: Bela Aparência; Sonho; Forma (limite); Princípio de individuação; Resplandecente; Ordem; Serenidade; etc.

 Dioniso: Música; Embriaguez; Uno Primordial (não há forma, sem limite); Indiferenciação; Essência; Desmedida; Domínio Subterrâneo; etc.

 Tanto a linha apolínea quanto a linha dionisíaca se baseiam nas estruturas formais de discurso apresentadas por Aristóteles em sua obra Arte Retórica e Arte Poética.

 Apolínea, da razão: O primeiro fala à razão de quem lê, apoiada no discurso racional, nos argumentos. Apresenta dados, argumenta com informação. Convencimento

 O modelo apolíneo calcado no discurso deliberativo de Aristóteles, esse modelo de texto tem como objetivo convencer o leitor a uma deliberação futura por meio da razão. Da introdução à conclusão, o texto publicitário de linha apolínea é estruturado em fases criteriosamente divididas para resultar em uma argumentação clara, precisa, simples e contundente.

Exórdio: é a introdução do enunciado.

Narração: é a apresentação dos fatos.

Provas: são os dados que demonstram e comprovam o que se narra.

Peroração: é o epílogo, a recapitulação do discurso e a chamada para a ação.

 Exemplo:

 “Às vezes, a melhor movimentação financeira é ficar parado. Volta e meia, surge no mercado uma grande aplicação. Dessas imperdíveis, bola da vez. Mas, como toda corrida do ouro, ela pode ser boa só para quem chega na frente. É para aliviar o risco X retorno das aplicações que existe a Hedging-Griffo. A administradora de recursos mais especializada em clientes Private do País. Ela recomenda apenas os melhores produtos do mercado. Inclusive fundos próprios, como o fundo HG Verde, que há vários meses é um dos mais rentáveis do Brasil. Na Hedging-Griffo, você é atendido por um dos sócios da empresa. É com dedicação e autonomia de dono que o assessor financeiro administra sua carteira. Ligue (11) 3040 8787 e peça uma visita. O assessor financeiro vai recomendar quais passos você deve dar. E quando é melhor não dar passo nenhum. Hedging-Griffo”

 

A função do discurso deliberativo é justamente, fase a fase, convencer o público a deliberar em favor do produto ou serviço vendido. No texto de propaganda apolíneo, cada fase do texto é uma preparação para a etapa seguinte. As camadas do texto se correspondem e se complementam: A introdução já adianta no título o assunto de que se vai tratar no texto. A narração desenvolve o assunto apresentado na introdução. As provas atestam aquilo que a narração apresenta. A peroração, ou a conclusão, recapitula o discurso e convida o leitor à ação.

 

Dionisíaca, da emoção que seduz o leitor. O segundo fala à emoção do leitor, é mais leve, sutil. Persuasão. Alimenta-se muitas vezes na estrutura do conto, da crônica, da fábula.

 

O modelo dionisíaco está apoiado no discurso demonstrativo ou epidíctico de Aristóteles. Objetivo: aconselhar de maneira mais sutil, persuadir pela emoção, contar uma pequena história ao leitor e envolvê-lo no enredo para abrir seu coração e torná-lo favorável ao que se anuncia. Ex:

 “Nestlé, para mim, é “enquanto eu puder dar colo, eu dou”. Podem falar o que quiser. Que sou daquelas que dão Chambinho na boca, que eu mimo, que eu isso, que eu aquilo. A verdade é que as crianças crescem e têm de encarar tantas coisas, tantos problemas, tantos preconceitos que, enquanto eu puder, eu protejo mesmo. Dar comidinha na boca não quer dizer despreparar. Quer dizer amor, carinho… E, se ela aprender isso e fizer tudo com o coração, com certeza, vai se tornar uma grande mulher. Nestlé. Nossa vida tem você.”

Texto:

“Eu sou um pombo paulista. No finzinho do dia a gente que é pombo fica voando pra lá e pra cá, com medo do povo, que sai com pressa do serviço, pisar na gente. E a gente vê cada coisa errada. Tem um senhor aqui no bairro que trabalha com vendas. É pessoa boa. Mas ele corre muito com o carro, fura o sinal, entra na contramão. Um perigo. Outro dia uma moça fina, de berço, foi retocar a maquiagem no sinal fechado, se distraiu, ele disse nome feio pra ela. Mas não é má pessoa. A gente que é pombo sabe. É que a venda caiu muito. Não sobra pra comprar um colchão novo pra senhora dele, que sofre da coluna. Ele fica desgostoso. Nem fica bem falar, porque a gente que é pombo fica ciscando pra bicar migalha, estorva o trânsito. E nunca atravessa na faixa. Mas tem coisa que se a gente que é pombo não fala, ninguém fala. Eletropaulo, 100 Anos. Uma nova energia. Uma nova atitude.”

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